Pride – 2014

Apesar de The Grand Budapest Hotel ser a maior esperança da Inglaterra no Oscar deste ano, o longa Pride, premiado na sessão LGBT de Cannes, se assemelha muito com a produção de Philomena – aquele típico filme que não tem muita visibilidade mas acaba surpreendendo.

O roteiro desenvolve-se a partir do ponto de vista dos membros do grupo Lesbians and Gays Support the Miners, liderados pelo carismático Mark Ashton (Ben Schnetzer), na luta para auxiliar o sindicato dos mineiros do Reino Unido, que buscavam melhores condições de trabalho e ampliação de seus direitos após o governo britânico tomar uma série de medidas para desvalorizar a profissão. Além da história da greve e do apoio dos gays, algo que causa grande constrangimento para uma pequena população local, é interessante observar os vários objetivos secundários: temos o caso de um jovem que teme que sua família descubra seu apoio a causa, a repulsa da população aos homossexuais, e a inserção destes no meio dos mineiros, atividade macho. É notável o trabalho da produção para tornar o filme atrativo, com algumas boas piadas (que foram usadas como justificativas para a inscrição do longa na categoria de melhor comédia no Globo de Ouro) e uma seleção musical bastante agradável.

Também foi feito um excelente trabalho para explicar toda a criação do movimento e sua consolidação. A maquiagem e o figurino – impecáveis – brilham e se destacam nas ruas cheias de preconceito. O problema, no entanto, é que Pride quer passar a mensagem que graças a este movimento os gays ganharam uma grande visibilidade nacional, acarretando na diminuição das chacotas, o que é completamente falso. Por conta da pequena escala de análise, compreendo que os grandes grupos de Londres não tenham recebido nenhuma atenção, mas não posso deixar de repudiar o desfecho do filme, que perde completamente o foco de sua proposta original para transmitir uma mensagem bonita  a partir de um final feliz onde os sonhos se tornam realidade. Ora, basta procurar um pouco de informação para concluir que, apesar de todos os esforços do Lesbians and Gays Support the Miners (que aparecem no filme como os únicos apoiadores do sindicato dos mineiros, algo que não é verdade), a greve de 1984/5 foi um fracasso total e serviu apenas para consolidar ainda mais a imagem de Margaret Thatcher e de seu partido conservador. Nenhuma menção é feita quanto a isto, e o espectador que não conhece a história certamente vai sair do filme sem conhecer o que realmente aconteceu.

Não é uma história de popularização do LGBT, como sonhava o diretor Matthew Warchus, pois a falta da autocritica compromete seu andamento. Faz jus ao título.

NOTA: 6/10
IMDB

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