Globo de Ouro 2015 – Análise e comentários

Antes das grandes premiações, duas questões passam pela cabeça dos produtores de televisão. A primeira diz respeito a audiência, mais especificadamente no que fazer para prender o telespectador por três horas e não tornar a jornada cansativa. Tanto a Academia quanto a HFPA já passaram por maus bocados ao errar feio na construção do programa e entregar um produto final muito abaixo do esperado. A outra questão colocada em jogo fala da previsibilidade, pois nos últimos anos tanto o Oscar quanto o Globo de Ouro não apresentaram grandes surpresas nas categoriais principais.

O maior trunfo da premiação de 2015 passou pelas mãos das apresentadoras Tina Fey e Amy Poehler. Nos últimos segundos do show, Meryl Streep deu voz ao pensamento de milhares de pessoas ligadas em todos os continentes deste mundo que agradeciam a forma como as duas mulheres tocaram o programa. Elas foram as responsáveis diretas pelo sucesso da premiação e, consequentemente, por nos prender nas cadeiras por toda exibição do Golden Globe. Após um monólogo inicial com piadas excelentes, elas decidiram fazer humor com casos que ainda trazem certo constrangimento – como a questão que envolve a Coreia do Norte, com a presença da humorista Margaret Cho na pele de uma enviada do governo de Kim Jong-un. A prova do bom humor e do toque agradável desta premiação também pôde ser vista nas brincadeiras com George Clooney ou mesmo nos apresentadores de cada prêmio – sempre com um largo sorriso no rosto e dispostos a fazer piadas.

O momento que quebrou tamanha alegria foi o momento mais especial da noite, quando os aplausos para o presidente da HFPA, Theo Kingma, tomaram conta do Beverly Hilton Hotel após o holandês citar que todos ali estavam contra a tentativa de reprimir a liberdade de expressão, seja na Coreia ou em Paris. Streep foi a primeira a se levantar, e a reação em cadeia foi mais do que merecida. Este é o espírito de Hollywood!

O ponto mais discutível da noite ocorreu com a série de piadas que envolveu o caso de estupro de Bill Cosby – que toma conta da mídia americana. Os poucos aplausos e as caras de pavor ao ouvir Tina e Amy chegam a ser engraçadas. Durante a transmissão vi que Jessica Chastain fez um sinal com o dedo como quem diz “não, não façam isso”.

A tão comentada imprevisibilidade finalmente deu o ar da graça novamente por conta da vitória inesperada de Grand Budapest. O desafio de criar em todo público um sentimento de torcida para seu candidato na hora do anúncio – e não um conformismo por conta de uma derrota esperada – passa diretamente por mais exemplos como este. Birdman perdeu como melhor comédia, Lego perdeu como melhor animação e Ida perdeu como melhor estrangeiro. Esta trinca demonstra que a HFPA está ligada e tem decisão soberana frente aos críticos – o que é extremamente importante.

Uma grande noite! Vamos aos comentários dos vencedores nas categorias referentes ao longas:

BEST MOTION PICTURE, DRAMA
Vencedor: Boyhood

Comentários: não existia a mínima possibilidade de não premiar o melhor filme de 2014. Reconhecimento merecido!

BEST MOTION PICTURE, MUSICAL OR COMEDY – SURPRESA DA NOITE
Vencedor: The Grand Budapest Hotel

Comentários: Ninguém no meio do cinema esperava pela derrota de Birdman. Ninguém. Talvez um fã de Anderson tenha apostado em Grand Budapest, mas o fato é que esta vitória surpreendeu a todos – e traz de volta o mencionado ar de imprevisibilidade (que não acontecia desde a também surpreendente vitória de The Social Network sobre The King’s Speech, em 2010).

BEST DIRECTOR
Vencedor: Richard Linklater, Boyhood

Comentários: O diretor de Boyhood inovou com sua visão e ambição neste projeto de doze anos. Se este filme é um sucesso absoluto – tudo isto passa pelas mãos dele.

BEST ACTRESS, MOTION PICTURE, DRAMA

Vencedora: Julianne Moore, Still Alice

Comentários: Vitória incrível e merecida!

BEST ACTOR, MOTION PICTURE DRAMA
Vencedor:Eddie Redmayne, The Theory of Everything

Comentários: Eddie Redmayne conquistou aos fãs de cinema e aos críticos pela sua entrega neste papel. Fiz certo ao apostar nele, pois já esperava o esnobe a Benedict Cumberbatch.

BEST ACTRESS, MOTION PICTURE, MUSICAL OR COMEDY

Vencedora: Amy Adams, Big Eyes

Comentários: Adams levou a melhor, mas tem poucas chances de enfrentar Moore no Oscar.

BEST ACTOR, MOTION PICTURE, MUSICAL OR COMEDY

Vencedor: Michael Keaton, Birdman

Comentários: Keaton entra como favorito ao Oscar. Emocionante discurso!

 BEST SCREENPLAY, MOTION PICTURE

Vencedor: Birdman

Comentários: A vitória nesta categoria era esperada, e deixa ainda mais evidente a tamanha surpresa pela derrota deste longa na segunda principal categoria da noite.   

 BEST FOREIGN LANGUAGE FILM

Vencedor: Leviathan

Palpite: Leviathan é visto como a melhor produção russa desde a época de ouro de Andrei Tarkovsky. O Globo de Ouro tem um histórico de não seguir a Academia em sua escolha, o que deve ser levado em conta antes que Ida deixe de ser considerado favorito.

 BEST SUPPORTING ACTOR, MOTION PICTURE

Vencedor: J.K. Simmons, Whiplash

Comentários: A vitória de J.K foi merecida, e, apesar de ter sido esnobado do Critic’s, o grande ator de Whiplash entra no Oscar como favorito desta categoria.

 BEST SUPPORTING ACTRESS, MOTION PICTURE

Vencedora: Patricia Arquette, Boyhood

Comentários: A escolha mais previsível da noite. Um pouco perdida em seu discurso, Arquette entra no Oscar como a aposta mais conservadora entre todas as categorias.

BEST ANIMATED FEATURE FILM – SURPRESA

Vencedor: How to Train Your Dragon 2

Comentários: Outra grande surpresa da noite. Lego foi a animação mais completa do último ano – mas seu lançamento (quase um ano antes desta premiação) certamente deve ter pesado na escolha de How to Train Your Dragon 2. Coloca um ponto de interrogação sobre o destino desta categoria no Oscar.

BEST ORIGINAL SONG

Vencedor: John Legend & Common, “Glory” (Selma)

Comentários: Escolha previsível: a música emociona.

 BEST ORIGINAL SCORE

Vencedor: Johann Johannsson, The Theory of Everything

Comentários: Não vou dizer que foi uma grande surpresa pelo motivo de Johann ter feito um excelente trabalho e a fama de Alexandre Desplat não ser das melhores em Hollywood.

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