American Sniper (Sniper Americano) – 2014

American Sniper (Sniper Americano, no Brasil) não é um filme sobre a Guerra no Iraque, apesar das várias tomadas de ação que refletem a luta dos Estados Unidos naquele país. Clint Eastwood trabalhou com seus fiéis escudeiros da Malpaso Productions para garantir um drama de ótimo nível ao abordar a trajetória do sniper mais letal da história dos Estados Unidos – colocando várias questões éticas e pessoais à frente de um objeto muito maior. A produção do longa envolveu um verdadeiro leilão entre as principais produtoras para garantir os direitos de o livro de Chris Kyle.

A adaptação de American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. foi escrita por Jason Hall e teria a direção de Steven Spielberg, que sugeriu deixar de lado o foco no conflito armado para dar atenção a personalidade de Kyle e criar um sniper rival para tocar o roteiro, da mesma forma feita no filme Enemy at the Gates. Spielberg pediu 100 milhões de dólares, a Warner liberou somente 60, e Eastwood foi convocado para tocar o projeto. O grande trunfo de Clint foi ter aproveitado as deixas de Spielberg e construir um filme que não foge nem um pouco de seus valores,

Bradley Cooper (também produtor e nomeado ao Oscar pela terceira vez consecutiva) interpreta Kyle, um texano que tinha o sonho de ser um cowboy mas que deixa tudo de lado para entrar no S.E.A.L após acompanhar a cobertura dos atentados terroristas às embaixadas dos Estados Unidos na África. Dias depois de descobrir uma traição de sua ex-namorada, homem encontra Taya (Sienna Miller), uma simpática mulher que vira a mãe de seus dois filhos. As quatro viagens de Kyle como atirador de elite no Iraque são intercaladas com as cenas em que ele passa ao lado de sua família. Em um subplot, Kyle busca matar um atirador ligado a grupos extremistas que já causou a morte de vários companheiros.

O drama da guerra passa por dois meios: o primeiro é o da ação, com o foco especial para a atuação do sniper. O outro, mais forte, trata sobre os estragos causados pelas sniper, tanto na convivência com sua família quanto na mudança de traços do protagonista. Ainda que bastante simples, existem cenas como a de crianças mexendo com armas na mira do atirador que se tornam totalmente imprevisíveis por conta de todo o contexto. Tanto a edição quanto o trabalho de mixagem de áudio me lembraram de The Hurt Locker – um bom sinal. O perfil político muito claro por trás desta produção é o principal alvo das críticas que este longa vem sofrendo fora dos Estados Unidos. Republicano, Eastwood deixa muito claro sua intenção de celebrar um herói de seu país. O único erro no desenvolvimento da história foi ter pegado leve no perfil de Kyle, especialmente nas cenas finais. Apesar o grande número de palavrões, os produtores optaram por ouvir os conselhos de sua esposa e não deixar sua forte personalidade tomar conta da tela. Por este motivo, ao invés do filme seguir a risca o livro de Kyle e citar que ele gostaria de ter matado mais gente no Iraque, por exemplo, suas conversas com o psicólogo apenas demonstram sua vontade de salvar mais pessoas, mais soldados americanos.

A direção geral conseguiu ótimos enquadramentos fundamentais para não deixar as várias cenas em que observamos Cooper e seu fuzil de precisão monótonas. A opção por fazer da tela um tipo de mira, apesar de ser constantemente utilizada nos longas de ação, foi o diferencial, até por conta de algumas cenas mais lentas.

Indicado a seis prêmios da Academia, American Sniper ganhou muita força neste último mês. Aos 84 anos de vida, Eastwood esbanja vitalidade e entrega uma boa cine-biografia.

NOTA: 8/10

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