Still Alice (Para Sempre Alice) – 2014

Primeira crítica em língua portuguesa do filme Still Alice, que tem seu lançamento limitado nos Estados Unidos e deve chegar aos cinemas brasileiros entre fevereiro e março.

Still Alice (Para Sempre Alice, no Brasil) é o filme que finalmente vai coroar a carreira da grande Julianne Moore com um merecido Oscar. Não tenho nenhuma dúvida de que seu personagem vai emocionar a Academia. O roteiro baseado no best-seller homônimo de  Lisa Genova e adaptado pelo diretor Richard Glatzer foi levado as telas do cinema com uma simplicidade ímpar, mas com um potencial imenso para virar alvo de discussão por longos meses, além de se tornar a referência cinematográfica sobre Alzheimer até aqui.

Alice Howland (Moore) é uma respeitada professora da Universidade de Columbia. Sua vida não podia ser melhor: casada com John (Baldwin), que a considera a mulher mais inteligente e bonita que já conheceu, ela tem mantém uma boa relação com seus três filhos — Anna (Bosworth), Tom (Parrish) e Lydia (Stewart), que sonha ser atriz. Porém, ao notar que estava perdendo seu vocabulário e esquecendo coisas básicas do dia-dia, ela consulta um médico e recebe a notícia de que ela é portadora de um tipo raro de Alzheimer, transmitido geneticamente. Ao ver que jamais conseguiria ter uma vida normal, seu mundo vira de cabeça para baixo na medida que a doença vai avançando.

Quando o cinema busca tratar sobre o Mal de Alzheimer, geralmente foca suas atenções no sofrimento da família ou nas dificuldades que uma pessoa portadora da doença causa para terceiros. Still Alice já se diferencia neste ponto, ao explorar o drama da pessoa com a doença, para então, a partir dela, analisar toda a vida que foi deixada para trás. Se tal abordagem é excepcional para entrar na vida do personagem proposto, ela acaba prejudicando, por vezes, o andamento do filme justamente por não envolver demais outros intérpretes. Não diria que isto seja o grande problema de Stil Alice, mas é inegável que o filme se aproxima do estilo de Black Swan (2010), por exemplo.

O espectador entra na cabeça de Alice ao observar a visão embaçada da personagem e ao tentar resolver os desafios que ela recebe de seu médico ou mesmo de um aplicativo de seu celular. Mérito para toda a equipe de produção do longa que conseguiu criar um drama over the top com uma história que poderia soar melodramática ao extremo, já que a obra original foi bastante criticada nos Estados Unidos justamente por conta disso. Julianne Moore não parece forçar em nenhuma cena para expor suas crescentes dificuldades. É interessante observar que nós temos total dimensão do que acontece com a protagonista antes de seus familiares, e a progressão da doença é mostrada de maneira muito satisfatória durante os 100 minutos de exibição – o tempo certo para seguir nesta linha pessoal com um começo, meio e fim, diga-se de passagem..

Que ano maravilhoso para Moore! Sua surpreendente vitória na categoria de melhor atriz em Cannes (desta vez pelo filme Map to the Stars) e sua apresentação em Still Alice devolveram a ela o status de atriz de ponta. Da mesma forma com que sua carreira deslanchou no final da década de 1990, suas decisões a partir de 2004 se mostraram erradas, já que ela optou por vários personagens que não exploravam todo seu talento. Espero que após a vitória de Moore ela vá contra a maldição do Oscar e nos brinde com vários longas de sucesso! Que venham também as vitórias no Golden Globe e no SAG!

NOTA: 8/10

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