Paris, Texas – 1984

Wim Wenders é um dos melhores diretores de cinema da Alemanha de nossos tempos. Muita gente o conhece por conta do clássico Der Himmel über Berlin (Asas do Desejo), mas poucos foram atrás de mais longas de sua vasta filmografia. Paris, Texas, é um clássico cult que merece todos os elogios possíveis.

Um homem vaga pelo deserto. Sujo, mal vestido e aparentando sofrer algum tipo de problema mental, ele é responsável por uma memorável cena inicial: será que ele se lembra de alguma coisa? por qual motivo ele está vagando naquelas terras vazias? Sua chegada a um bar revela seu objetivo: buscar um pouco d’água. O maltrapilho, ao contrário do que poderíamos pensar, tem nome e sobrenome: Travis Henderson (Harry D. Stanton). Ele é enviado a um hospital, onde é tratado e foge antes da chegada de seu irmão, Walt (Dean Stockwell). Descobrimos todo o drama pessoal que envolve Travis, que, no primeiro momento, recusa falar e cooperar com seu irmão. As coisas começam a mudar quando ele vai para a casa da família, onde encontra sua nora (Aurore Clément) e seu filho (Hunter Carson, que não conseguiu engatar a carreira de ator após este longa) – fruto de um relacionamento uma mulher que decidiu abandonar tudo e fugir, assim como Travis. O drama desta família passa desde o estranhamento da criança ao ver seu verdadeiro pai até a busca de um reencontro filho – mãe.

Não tente construir este longa em cima de experiências passadas com outras películas que trataram do mesmo assunto. A mensagem de Wim Wenders é muito mais profunda do que uma simples união de uma família que viveu o inferno na terra e optou pela separação. Não é, também, uma história voltada para um final feliz que deixe todos no cinema com um largo sorriso na boca. O grande Roger Ebert citou que Paris, Texas fugiu completamente do que nós chamamos de “previsível”. Pois é. Apesar dos melhores longas ás vezes caírem na tentação de buscar um recurso de roteiro clichê, a emocionante história relatada aqui abre a reflexão para o espectador discutir temas como solidão, ciúmes e família – com o bônus de conseguir tal objetivo sem querer explorar o melodrama barato.

Harry Dean Stanton entrega uma atuação de primeira classe. Sinto muito pelo ator ter optado por um rumo diferente em sua carreira, ainda que respeite tal decisão. A classe com que ele interpreta o protagonista – retratada, por exemplo, em sua transição pessoal a partir do momento que encontra seu irmão – é digna de nomeação ao Oscar. A fotografia de Robby Müller se divide nas paisagens do Texas e nas tomadas de cenas das movimentadas ruas das cidades mostradas no longa, o que dá um aspecto de road movie, típico de Wenders.

Buscando um filme de drama? Não tenha dúvida ao dar play em Paris, Texas.

 

NOTA: 8/10

IMDB

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