La passion de Jeanne d’Arc (A Paixão de Joana d’Arc) – 1928

La passion de Jeanne d’Arc (A Paixão de Joana d’Arc, no Brasil) é um daqueles filmes que qualquer pessoa que se diz fã de cinema deve assistir. Destaco dois motivos: a genialidade de Carl Theodor Dreyer junto da melhor atuação da história do cinema mudo (obrigado, Maria Falconetti).

Carl Dreyer é o grande diretor da Noruega – o orgulho nacional, como eles o chamam – teve aqui sua primeira oportunidade para expandir sua visão de cinema para um público bem maior do que ele estava acostumado a lidar. Toda a pesquisa feita pelo diretor para escrever o longa virou exemplo para adaptação de casos de tribunal, sendo um dos primeiros grandes sucessos deste gênero. Dreyer optou por contar a história do julgamento sem nenhum flashback, o que exige do público um conhecimento prévio sobre quem foi Joana e por qual motivo ela estava ali sendo humilhada. Se hoje esta tática não seria aprovada de maneira nenhuma no cinema, na época era comum, já que se tinha a ideia de que uma pessoa culta que fosse ver um longa como este tinha conhecimento suficiente para compreender a situação, o que também garantiu ao diretor um tempo valioso ao não precisar contextualizar nada e explorar vários diálogos (cuidadosamente trabalhados através da transcrição original do caso).

Como citei na abertura desta crítica, a dedicação e o empenho de Maria Falconetti ficaram registrados para sempre. E isto talvez ocorra por um fato extremamente curioso: após acabar as filmagens, Dreyer descobriu que o longa foi acidentalmente destruído. Sem dinheiro para poder começar do zero, ele optou por reeditar todo o filme com tomadas que ele havia cortado do longa original. Ou seja, a versão lançada nos cinemas (que também foi cortada pela Igreja da França, que achou algumas cenas muito ofensivas), foi considerada pelo diretor como material de segunda mão. Somente em 1981 foi descoberta a versão original de Dreyer – e com ela foi iniciado um culto a atriz que interpreta Joana d’Arc: ao invés das cenas mostrarem todo seu corpo, por exemplo, Dreyer abusou dos closes, sem nenhuma maquiagem, contrariando o que se fazia nos Estados Unidos, onde podemos citar o exemplo de Sunrise. Impossível não se impressionar com uma lágrima ou com o sentimento de injustiça que é transmitido com muita segurança por Falconetti. Pauline Kael foi mais longe ao afirmar que esta atuação é a melhor já registrada em um filme.

Recomendo a todos leitores buscarem a versão da Criterion. Além da qualidade da remasterização ser digna de aplausos, temos também uma quantidade incrível de material extra. Infelizmente não existe registro da trilha utilizada nos cinemas na exibição original do longa – nem mesmo Dreyer fez questão de deixar anotado. Reza a lenda que cada sala optava por uma trilha própria. Por este motivo, a Criterion decidiu utilizar uma orquestra composta por Richard Einhorn, que foi inspirada no filme.

Se você procura por uma cine-biografia de d’Arc, passe longe desta obra. Caso conheça a história da francesa, não tenho dúvidas que você vai desfrutar e se impressionar com a qualidade desta película.

NOTA: 8/10

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