Ida – 2013

Senhoras e senhores, eis o favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro do próximo ano. E digo isto mesmo sabendo que esta categoria é uma das mais difíceis de se prever. Se nos últimos três anos os favoritos venceram, só uma rápida olhada na lista de indicados desta categoria neste novo milênio já é o suficiente constatar que algumas apostas, outrora certeiras, não levaram o Oscar para casa. Só para citar alguns exemplos, lembro o caso de Amélie (2001), Paradise Now (2005) e Das weiße Band/ A Fita Branca (2009). Sempre digo que o voto da Academia para melhor filme estrangeiro é bem mais consciente do que o voto na premiação geral.

Por qual motivo aposto tão alto neste filme? Ora, não é segredo que a Academia adora premiar longas que contam com uma protagonista e/ou elenco disfuncional. No último ano, por exemplo, foi inegável a influência dos personagens que rodeavam de Toni Servillo em La Grande Belezza. No longa polonês dirigido por Pawel Pawlikowski, acompanhamos a relação de Ida (Agata Trzebuchowska) — também conhecida como Anna — com sua tia, a juíza Wanda (Agata Kulesza). As duas, que no começo do longa apresentam personalidades diferentes, aos poucos se unem e mostram mais afinidade do que até elas mesmo imaginariam. Ida foi entregue ao convento ainda jovem, já que seus pais morreram durante a Segunda Guerra Mundial. A jovem é doce, sensível, devota e inocente. Sua tia, uma alcoólatra descrente, cujo trabalho de limpeza dos inimigos políticos da Polônia comunista foi reconhecido com alcunha de Wanda Vermelha, não entende como sua sobrinha deixou de lado toda sua juventude para se dedicar à Igreja. Ainda assim, as duas têm um objetivo em comum: saber o motivo da morte dos pais de Ida.

Sem surpresas, o roteiro é extremamente previsível. Como de costume nestes casos, Ida experimenta o lado da vida que deixou para trás por longos anos antes de tomar sua decisão final para a entrada do convento. O que chama a atenção é a maravilhosa fotografia p/b aliada ao impecável trabalho de pesquisa do longa, observado desde os uniformes da polícia polonesa até as construções precárias típicas daquele país na década de 1960. O filme falha ao tentar propor uma questão por fora do contexto. Durante a rolagem dos créditos finais, pensei as discussões filosóficas e morais que Bergman faria com este roteiro.

PS: Um leitor me perguntou o motivo deste filme entrar no Oscar 2015 (e não no de 2014, visto que ele foi lançado em 2013). A explicação é simples: o longa lançou na Polônia em outubro de 2013, mas a data que vale para o Oscar é a da estreia no circuito americano (leia-se Los Angeles), o que ocorreu cinco meses depois.

NOTA: 7/10

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