Night of the Living Dead (A Noite dos Mortos-Vivos) – 1968

Se você gosta de filmes de zumbis, agradeça ao senhor George Romero. Ele popularizou um gênero que influenciaria diretamente a criação de slashers como  Halloween (1978), Friday the 13th (1980), e Nightmare on Elm Street (1984). Night of the Living Dead (A Noite dos Mortos-Vivos, no Brasil) surpreende pela narrativa empolgante, mesmo com as várias limitações da equipe de produção.

Um satélite cai na terra e sua radiação faz com que todos os mortos ressuscitem. Agindo como canibais, os zumbis ameaçam um grupo que se refugia em um casarão para compreender os estranhos acontecimentos e decifrar a essência destas criaturas.

O filme é tão poderoso que se você assistir ele no mudo, certamente conseguirá entender a proposta. Isto ocorre por conta da fotografia em preto e branco, que gera uma mistura de drama e thriller bastante interessante e original. A impecável trilha sonora auxilia a construir um ambiente de tensão que é refletido na postura dos personagens, perdidos no meio de um caos que parece não ter fim.

O ponto positivo é que o filme foi pensado com um começo, meio e final. Apesar de mais tarde se tornar uma franquia, cabe dizer que Romero jamais imaginou conseguir os resultados domésticos que seu filme obteve no ano de lançamento (cerca de 12 milhões de dólares). A última tomada é surpreendente, e deixa claro a desvinculação do diretor com uma possível sequência (tanto é que somente 10 anos depois Romero seguiu com seu projeto, após engolir vários fracassos). A precariedade dos recursos pode ser observada na péssima captação de áudio, quase sempre abafado. Apesar de toda ação se passar aos redores de uma velha casa, o elenco de apoio sofreu com a falta de recursos para investir no figurino e na maquiagem.

Uma interessante curiosidade deve ser citada: apesar das fortes cenas de mutilação e assassinato, nos Estados Unidos o filme foi liberado até mesmo para crianças. O motivo disto deve-se ao fato da MPAA (que estabelece a classificação indicativa dos filmes) só entrar em vigor no mês de novembro de 1968 em território americano, enquanto o lançamento do longa através da Walter Reade Organization ocorreu no mês anterior. Por conta de um erro no registro, Night of the Living Dead hoje está em domínio público. Isto o tornou ainda mais popular – e várias distribuidoras aproveitaram a brecha para remasterizar a película, criando versões em 3D e coloridas, por exemplo.

Orçado em pouco mais de 100 mil dólares, é incrível o impacto que Romero conseguiu fazer com tão pouco. Não é a toa que apesar de todas as polêmicas, o longa gerou uma lucrativa franquia e arrastou uma multidão de fãs ao cinema.

NOTA:7/10

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