Giù la testa (Quando Explode a Vingança) – 1971

Falar de Giù la testa (no Brasil com o interessante título Quando Explode a Vingança) é falar do último western produzido pelo homem que reinventou este gênero no cinema. Com o sucesso da trilogia dos dólares e o excelente C’era una volta il West na bagagem, Sergio Leone escreveu o roteiro deste longa com a pretensão de tornar este longa um sucesso ímpar de bilheteria, aumentando ainda mais sua popularidade no mercado americano. Mas na verdade, o filme passou perto de ser um fracasso na arrecadação. Lucrou pouco, não foi bem recebido pelos críticos da Itália e teve um lançamento muito limitado nos Estados Unidos.

O grande problema de Giù la testa é tentar deixar de lado o western puro para buscar suporte no maior drama que envolve a Revolução Mexicana: as execuções sumárias.

1913. Juan Miranda (Rod Steiger) ganha a vida roubando ricos que cruzam o deserto mexicano com sua família. Certo dia, o republicano irlandês John Mallory (James Coburn), especialista em explosivos, encontra o grupo de bandidos e gera um atrito que acaba aproximando estas diferentes personalidades em um contexto que envolve uma busca por dinheiro e liberdade, com o pano de fundo da Revolução Mexicana.

A trilha sonora de Morricone é bastante interessante. Mas em poucos momentos ela rouba a cena ou divide a atenção com o que acontece nas telas. Como citei anteriormente, os produtores ficaram obcecados em tentar recriar um ambiente pesado e negro de tal forma que toda a edição do filme busca libertar Juan de seu sofrimento pessoal – ligado diretamente com um elemento chave para o roteiro que ocorre na metade da exibição.  As duras execuções apresentadas no longa são secas e não se articulam com o ambiente apresentado.

Com isto, o simpático personagem de James Coburn parece não ter tempo suficiente para brilhar. Na minha visão, ocorre devido as escolhas feitas para o elenco. Leone deu para Eli Wallach o personagem de Juan, e ficou surpreso com a negativa de seu velho companheiro (mais tarde, Eli justificou que somente recusou a oferta por ter recebido o cachê de Mackenna’s Gold de forma antecipada). Leone então se reuniu com Clint Eastwood – seu preferido para interpretar John –  e ouviu outro não. O homem sem nome queria cortar seus vínculos com o cinema da Itália e apostava no sucesso da recém-criada Malapso, responsável pela produção de Hang ‘Em High (1968).

Em meio a tantos problemas, a longa duração do filme deixa claro que falta um fio condutor. Os tiroteios são ótimos, a cena do primeiro encontro entre Juan e John é impagável, mas faltou a alma de Leone, aquele charme que só seus filmes tinham. Não é por menos que Henry Fonda o considerou “o maior diretor que já perambulou por este mundo”. Após a ideia de recriar a trilogia dos dólares não dar certo, Leone perdeu parte de seu interesse com esta produção. Por isto ele chegou a oferecer a responsabilidade do filme para Giancarlo Santi (o que só não aconteceu por conta de um barraco armado por Rod Steiger no set de filmagem exigindo Leone na direção).

NOTA: 6/10

IMDB

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