The Defiant Ones (Acorrentados) – 1958

Stanley Kramer lamentou por toda sua vida o fato de entrar para a história como um personagem secundário na história do Oscar. Apesar de ser indicado nove vezes a um prêmio da Academia, o diretor estadunidense jamais levou para casa a tão desejada estatueta. Oportunidades não faltaram: High Noon, The Caine Mutiny, Inherit the Wind (um de meus favoritos de sempre)  Judgment at Nuremberg (idem) e Guess Who’s Coming to Dinner poderiam facilmente vencer o prêmio de melhor longa em décadas posteriores. Os bastidores de Hollywood contam que após Kramer receber o Irving G. Thalberg Memorial Award (Oscar Honorário) em 1966, ele prometeu a si mesmo nunca mais realizar um longa para agradar a Academia, e decidiu focar em projetos pessoais (o que explicaria os fracassos de Oklahoma Crude e The Secret of Santa Vittoria, por exemplo).

Mas vamos voltar ao inicio da carreira deste diretor: em 1958 o diretor levou às telas The Defiant Ones (Acorrentados, no Brasil), que explora sobre a vida de dois prisioneiros que decidem se unir para conseguir a tão sonhada liberdade.

John (Tony Curtis) e Noah (Sidney Poitier) se odeiam. O caminhão penitenciário que os transportava para outra prisão sofre um acidente na estrada e os dois são os únicos sobreviventes. Enquanto eles fogem para dentro da mata – tentando buscar um modo de quebrar as correntes que os unem – os policiais da zona apostam que eles vão acabar brigando e se matando em questão de poucas horas.

Mas não é isto o que acontece: mesmo mergulhados em uma sociedade extremamente preconceituosa, John deixa de lado o racismo e vê em Noah sua melhor chance de recomeçar uma nova vida. A estranha amizade dos dois é posta a prova quando eles se encontram com uma mulher desesperada para começar uma nova vida com John.

Apesar de a fotografia ser muito linda (inclusive levou o Oscar relativo a categoria preto e branco naquele ano), o filme peca pelo preciosismo em torno do melodrama criado para justificar as escolhas da dupla ao longo do filme. O diretor poderia ter investido muito mais no lado psicológico dos personagens e no potencial de misturar uma comédia, mas preferiu tentar tirar lágrimas do espectador ao final do filme com um desfecho nada agradável (e completamente sem sentido, dado o nível de alguns absurdos que ocorrem com a dupla ao longo de sua jornada).

Neste caso, fico com  We’re No Angels, de Michael Curtiz.

NOTA: 5/10

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