Notre musique (Nossa Música) – 2004

Recebi um e-mail de uma leitora criticando a omissão de Le mépris (1963) no especial destinado a Godard aqui no site. A moça argumentou que “frente aos demais filmes escolhidos, Mérpis mostra a cooperação entre dois gênios do cinema – Lang e JLC. Frente a filmes como Nostre Musique, confesso que fiquei surpreendida com sua escolha”.

Ao mesmo tempo em que concordo integralmente com o que ela expressou, aproveito o momento para uma rápida defesa. Godard teve a década na 1960 o começo e auge de sua carreira, fato raro para a esmagadora maioria dos seus colegas de profissão. Optei por Notre musique pelo fato de explorar uma imagem bastante diferente de tudo o que o francês quis levar as telas na última década. Também considero seu filme mais fraco e menos chamativo. Ainda assim, em breve prometo trazer uma análise de Le mépris.

Godard sempre gostou de inovar. Isto não é novidade para ninguém. Em Notre musique (Nossa Música, no Brasil), ele deixa de lado suas refinadas técnicas para contar uma história divida em uma estrutura semelhante a que é apresentada por Dante em sua Divina Comédia. Acho que as divisões no roteiro podem ajudar ou prejudicar muito a continuidade do filme, tendo em vista sua temática. O filme Candy (2006), por exemplo, mostra um drama relativamente simples, mas a divisão do argumento deu um toque refinado a história. Mas Musique faz o contrário.

De vez em quando, os filmes de Jean Luc mostram pensadores reais interferindo diretamente no andamento do roteiro: aconteceu em Le mérpis, como citou a leitora e aconteceu de forma impactante em Vivre sa vie: Film en douze tableaux. Neste longa, o próprio francês dá seus pitacos sobre violência, guerra, ética e põe o dedo no conflito entre Israel – Palestina.

Inferno: várias cenas da guerra, alternadas em tomadas de filmes e gravações reais. Purgatório e Paraíso: discussões variadas sobre vários temas com a participação de Jean Luc Godard em Sarajevo. O maior problema de Notre musique é não ter um foco. As discussões são tão abertas que o filme acaba sem que o espectador compreenda o que foi explorado nos 80 minutos de filme.

Não tenho nenhuma dúvida de que um resultado bem melhor poderia ser alcançado com um documentário.

NOTA: 3/10

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