Mrs. Miniver (Rosa da Esperança) – 1942

Tive a oportunidade de trocar alguns e-mails com a professora Jeanine Basinger e conversar sobre um dos temas que mais me interessam no cinema: a exposição de valores que unem a família em torno de um grande ideal, fato que pode ser comprovada facilmente na maioria dos longas da Era dos Estúdios de Hollywood. Veja, não era nem um pouco interessante colocar nas telas uma história de drama que tivesse como tema central as brigas familiares ou dissentimentos entre casais: os poucos filmes que arriscaram fazer isto geralmente limitaram muito seu público e não conseguiram gerar lucro para os produtores.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Mrs. Miniver (Rosa da Esperança, no Brasil) é um exemplo perfeito do típico filme que exalta a união familiar. Mas ao invés do amor de forma simples, os desafios da família protagonista do filme acontecem a partir dos bombardeios dos alemães à Londres. Na fina linha que divide a morte da vida,

Mrs. Miniver (Greer Garson) é linda e exuberante mulher. Ela vive feliz com seu marido, Clem (Walter Pidgeon) em um pacato vilarejo na região metropolitana de Londres. Quando a Segunda Guerra Mundial começa, seu filho Vin (Richard Ney) retorna da Universidade e se alista na força aérea. Pouco antes de partir ele conhece e se apaixona por Carol Beldon (Teresa Wright), neta da poderosa Lady Beldon (Dame May Whitty). Com os ataques nazistas cada vez mais fortes, a família Miniver passa por várias situações que os unem cada vez mais. A mensagem deste longa é bastante clara: colocar os nazistas como grandes vilões da guerra e responsáveis pela destruição de famílias. Tal fato pode ser visto na cena em que um piloto alemão aparece pregando loucamente a favor das políticas de Hitler e Goering, citando que a Inglaterra deveria cair em breve.

A narrativa, excessivamente preciosista, também envolve um plot secundário, que diz respeito a competição da Rosa mais bonita da região. Apesar de parecer totalmente sem sentido, acredito que este recurso foi utilizado especialmente para amenizar o drama que segue a produção. O filme foi o grande vencedor do Oscar de 1943 (uma edição sem nenhum filme considerado de topo, atualmente). William Wyler ganhou seu primeiro Oscar como diretor e Garson e Wright venceram os prêmios de suas categorias (atriz principal e coadjuvante, respectivamente).

Sem o charme das outras produções deste período, Mrs. Miniver pode certo estranhamento ao espectador ao apresentar um casal dormindo (que não deixa de ser uma cena engraçada, diga-se de passagem). Adaptado do livro homônimo escrito em 1940, a produção conquistou os críticos dos Estados Unidos e deu muito lucro a MGM. Como acontece com a maioria dos filmes vencedores do Oscar nas duas primeiras décadas da Academia, hoje é bastante difícil ouvir falar neste longa. Diferentemente de Casablanca, Mrs. Miniver ficou preso em seu tempo devido a preocupação de discutir o presente próximo da Guerra, com um final que poderia facilmente ser utilizado em filmes de propaganda.

NOTA: 6/10

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