Going My Way (O Bom Pastor) – 1944

Going My Way (O Bom Pastor, no Brasil) é um filme que deve ser devidamente contextualizado para buscarmos compreender o motivo da Academia em premiar esta obra com sete prêmios em 1945, incluindo o de melhor filme.

Enquanto a Segunda Guerra Mundial se encaminhava para um final vitorioso para os Aliados na Europa, a industria do cinema americano discutia quais rumos adotar: valorizar os esforços de guerra dos Estados Unidos ou fechar os olhos e seguir com produções que abordassem a guerra de forma superficial. Apesar de nunca admitir publicamente, o presidente da Academia, Walter Wanger, recomendou a produção de filmes sobre o conflito mais violento da história apenas após o desfecho final deste. Se Hollywood produzia filmes que despertavam o patriotismo americano após 1941, os executivos consideravam que as pessoas queriam um cinema para descobrir novas emoções e assistir a histórias sem relação nenhuma com a guerra. O raciocínio era simples: se o cinema era a principal forma de entretenimento, porque insistir em contar casos que já estavam presentes no dia a dia do povo? Isto se refletiu na entrega de prêmios, onde apenas cinco filmes foram indicados – e quatro deles deixavam de lado totalmente a guerra.

O que chama a atenção em Going My Way é justamente esta desconexão entre o que se passava na época das filmagens (1944) com o que é exposto no filme. A guerra é deixada em terceiro plano, sendo mencionada diretamente apenas umas vez. O musical misturado com comédia aposta na atuação do popular Bing Crosby, que interpreta Chuck O’Malley, padre católico que recém chegou em uma paróquia e já causa discussão entre os moradores de sua cidade por conta de seu jeito diferente de abordar as situações do dia a dia: ele se aproxima dos jovens, canta, joga baseball. Seu grande problema é conseguir agradar  o pároco  Fitzgibbon (Barry Fitzgerald), que não concorda com a postura do jovem padre.

A banda sonora é interessante, mas não chama a atenção na nossa perspectiva atual (2014). A história contém vários subplots, envolvendo até a namorada de adolescência de Chuck. Apesar da atuação dos atores ser digna de merecidos elogios e do Oscar, o filme é muito simples. Comparado com outros indicados, não chega nem perto do padrão estético oferecido. Leo McCarey levou dois Oscars para casa e consolidou sua carreira como um dos realizadores mais importantes dos Estados Unidos. No ano seguinte, ele também seria o responsável por levar a RKO a seu filme de maior arrecadação: The Bells of St. Mary’s, uma sequência direta de Going My Way.

NOTA: 6/10

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