Blackfish (Blackfish: Fúria Animal) – 2013

Quando você chega em Orlando, na Flórida, geralmente as pessoas te perguntam: você quer ir para a Disney ou para o SeaWorld? Poucos sabem, mas é no parque aquático que está uma das mais estudadas orcas do mundo. Com mais de duas toneladas, Tilikum foi responsável pela morte de sua treinadora, Dawn Brancheau, em 2010. A análise do comportamento violento da orca e a desconstrução proposta pela diretora Gabriela Cowperthwaite é de alto nível. A cada cena, impossível não se inconformar com a situação vivida pelos bichos.

Como sou formado em história, me interesso muito pela análise de como o objeto central é trabalhado nos documentários. Blackfish (Blackfish: Fúria Animal, no Brasil) surpreende pela excelente base de apoio: quem fala sobre o assunto não é qualquer pessoa, mas especialistas na área e, especialmente, os ex-treinadores de orcas do SeaWorld. Aliás, por qual motivo a gigante do entretenimento não quis se manifestar e contribuir para este filme? Medo de manchar ainda mais sua imagem? Mas não se preocupe. A empresa é defendida, de forma indireta, por um ex-diretor, que faz questão de deixar clara a visão de que o SeaWorld é melhor do que os oceanos.

A contextualização é fantástica! Ao invés de tratar diretamente da morte de Dawn, somos enviados para a década de 1970, quando a caça as orcas corria solta nos Estados Unidos. Tilikum foi capturado em 1983 e sofreu uma série de abusos pelo seus primeiros treinadores, no Canadá. Além de ficar de castigo e sem comida por várias vezes, ele era brutalmente atacado pelas fêmeas. Ele foi comprado pelo SeaWorld em 1992, logo após afogar uma jovem treinadora. Antes do caso de Dawn, a orca ainda mutilou um homem que entrou por engano na piscina que abrigava o animal.

Agora, o ponto principal: no seu habitat natural. as orcas não atacam os seres humanos. No entanto, ao ficarem em cativeiro sob forte carga de stress, seus comportamentos mudam de forma que se torna impossível prever o próximo passo de um animal de tamanha inteligência. O caso de Dawn é tratado de forma intensa, já que boa parte dos entrevistados tinham convívio diário com a treinadora. É impossível não se emocionar com a história por trás da morte de Dawn, especialmente se entendermos que todo o espetáculo é montado para encher os bolsos de um pequeno grupo – que inclusive chegou a ter a cara de pau de afirmar que a treinadora foi a responsável por sua morte.

Recomendo fortemente este chocante documentário. Ele pode ser encontrado facilmente em serviços populares de streaming, como Netflix. Vale conferir!

NOTA: 8/10

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