Rang De Basanti (Pinte de Açafrão) – 2006

Rang De Basanti (Pinte de Açafrão, no Brasil) é um dos filmes mais aclamados de Bollywood. Oito anos após seu estouro inicial, ainda é possível observar a influência da mensagem deste longa nos diretórios estudantis de Nova Déli e até mesmo nos longas posteriores, que levaram boa parte do modelo de produção apresentado aqui.

Enquanto a história principal agradou aos indianos, em um olhar estrangeiro ela é absurda, previsível e nonsense. Tudo isto graças ideal de juventude completamente abstrato apresentado: a violência deixa de ser algo repugnante e passa a ser a única saída para tratar sobre problemas crônicos do país como a corrupção.

O longa começa com uma crítica direta ao cinema estadunidense e europeu: a britânica Sue McKinley (Alice Patten) quer fazer um filme baseado nos diários de seu avô, o soldado McKinley (Steven Mackintosh), que serviu na polícia imperial no período do movimento de independência da Índia. Ele apresenta relatos sobre cinco guerreiros que marcaram época pela resistência aos britânicos e foram mártires de suas gerações: Azad, Singh, Rajguru, Ashfaqulla Khan e Bismil. Sue ouve a negativa do estúdio onde ela trabalha pois a história não seria rentável. Então ela vai para a Índia e decide rodar seu longa graças a ajuda de um grupo de jovens liderados por DJ (Aamir Khan, maior nome do cinema da Índia), que decidem entrar na produção e interpretar os cinco ícones de resistência.

O roteiro apresenta furos memoráveis e decisões um tanto quanto controversas. Enquanto Sue se diz sem nenhum dinheiro para tocar a obra e anda com uma pequena câmera de vídeo em suas mãos, toda a produção por trás do longa é gigantesca. A história dos guerrilheiros é tratada como um filme épico e os cenários são perfeitos. Não passou nem um segundo na cabeça do diretor contextualizar onde Sue conseguiu recursos ou até mesmo trabalhar melhor sobre os ensaios: no final tudo acabava em músicas que despertavam sentimentos de alegria e liberdade.

O filme prega alguns valores muito interessantes: o primeiro deles é o reconhecimento da legitimidade de um movimento de resistência. Na teoria teríamos palco para uma boa discussão, mas na prática a história dos guerrilheiros é deixada de lado para o enfoque sobre como eles afetaram o dia a dia daquele grupo de jovens. Entre alguns flashbacks (sempre apresentados em tons de sépia), por vezes o filme corta abruptamente para cenas de amor e romance. Tudo piora quando um piloto de MiG-21 conhecido do grupo de jovens morre em um acidente e eles passam a protestar nas ruas. Aqui o processo pela liberdade é levado ao extremo. Os jovens apanham da polícia e preparam um ataque ao ministro da defesa. De forma inexplicável o grupo de DJ deixa de ser pacífico para se dar conta que só com a violência o país ficaria livre da corrupção que tanto afeta a vida de milhares de pessoas. Ora, duvido muito que Mahatma Gandhi aceitaria tal posição. E o pior de tudo é que o filme é infestado de clichês. O principal deles é querer colocar todas as mulheres como objeto secundário e retrarás as mesmas como vítimas de um governo opressor. Aos poucos Sue deixa de ser protagonista e passa a ser mera codjuvante que só chora a morte de seus amados. Totalmente sem sentido! Valores invertidos e uma mensagem principal que se aproxima muito de um tipo de propaganda do governo.

NOTA: 2/10

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