Bez konca (Sem Fim) – 1985

Bez konca (Sem Fim, no Brasil) é aquele filme que você precisa entender o contexto para poder decifrar alguns problemas que são apresentados ao decorrer da exibição. Krzysztof Kieslowski inicialmente não tinha a pretensão de levar este filme para o mercado europeu e estadunidense, por isto não se preocupou em explicar para seu espectador sobre o contexto em que os personagens de seu filme estão jogados.

O ano é 1982. A Polônia passa por dificuldades econômicas e enfrenta os grupos opositores com a declaração da Lei Marcial, autorizada pelo primeiro-ministro Wojciech Jaruzelski. Segundo o decreto do chefe de Estado, qualquer pessoa que fosse pega realizando práticas a favor da conspiração (leia-se panfletagem) seria presa e enfrentaria um julgamento sumário por traição à nação, que poderia acarretar em até cinco anos de confinamento. Isto atingiu em cheio o movimento pró-democracia Solidariedade, criado com o apoio dos Estados Unidos e liderado por Lech Walesa, que contou com mais de dez milhões de apoiadores na década de 1980.

Logo na primeira cena do filme, descobrimos que o advogado Antek (Jerzy Radziwilowicz) acabou de morrer. E é ele mesmo que conta os detalhes de sua “passagem”. Ele não chega a ser um narrador oculto, mas sua presença nos acompanha durante todo o longa para entrelaçar as duas histórias paralelas que assistimos. A primeira é da viúva Ulla (Grazyna Szapolowska), que descobre que amava seu marido mais do que imaginava. Ao mesmo tempo em que ela luta para criar seu filho, Ulla vira o meio termo entre um caso que seu marido trabalhava, que dizia respeito à prisão de um integrante do Solidariedade, segunda história apresentada no longa.

Kieslowski não esclarece o que o fantasma de Antek representa. Apesar de não envolver religião nos minutos finais, fico pensando se o foco da presença do homem foi apenas um elemento para dar tons dramáticos no roteiro, evidenciado em uma forte cena em que ele vê sua mulher fazendo sexo com outro homem, ou se existe algo a mais por trás desta presença sobrenatural. E claro que os pequenos simbolismos podem ser interpretados de diferentes formas (já encontrei no reddit teses cabulosas), mas o fato é que sua alma está presente em cenas essenciais apenas como espectador.

Filmado com um filtro cinzento que representa a tensão vivida na Polônia, talvez Bez konca realmente não tenha um fim. A ambígua cena final deixa mais questões do que respostas.

NOTA: 7/10

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