Baby Doll (Boneca de Carne) – 1956

Um dia após a triste notícia do falecimento do querido Eli Wallach, decidi assistir a um clássico de sua filmografia. Poderia ter pego algum western, mas optei pelo seu debut. E quem vê a atuação de Eli Wallach em Baby Doll (Boneca de Carne, no Brasil), dificilmente acredita que este foi o primeiro papel do popular ator estadunidense no cinema. Com direção de Elia Kazan e roteiro de seu parceiro, Tennessee Williams, gerou polêmica desde seu lançamento.

Em uma entrevista, Wallach citou que, embora este filme seja considerado leve para os padrões atuais, na época a controvérsia gerada era tão grande que por pouco o filme não foi censurado em todo território americano. Apesar de não mostrar nenhuma cena de sexo a sensualidade gerada em torno de Baker foi tão forte que a Liga Católica dos Estados Unidos barrou o longa em vários estados, especialmente no sul. Até mesmo a Time Magazine entrou na jogada e proclamou que Kazan “jogou baixo e apresentou ao público americano o filme mais sujo já produzido no cinema”. Como os tempos mudam, não? Sempre lembro o leitor que até 1968 a indústria cinematográfica era regida informalmente pelo Motion Picture Production Code (popularmente chamado de Hays Code), que dizia o que apresentar e o que não apresentar nos filmes.

Baby Doll, uma linda mulher virgem de 19 anos (Carroll Baker) está comprometida com Archie Lee (Karl Malden), um alcoólatra que vive os piores momentos de sua vida. Cheio de dívidas, ele decide queimar o maquinário de seu rival, Silva (Eli Wallach), para que o produtor de algodão use o descaroçador de sua propriedade. Ao descobrir que Archie foi o responsável pela queimada, Silva planeja cuidadosamente uma revanche. Com vários problemas de relacionamento com seu marido, Baby Doll acaba criando intimidade muito rapidamente com o homem e coloca um grande ponto de interrogação sobre o destino do casal e, especialmente, sobre o futuro de Archie.

As atuações são excelentes. Enquanto Malden, uma das maiores estrelas do cinema na época, dá credibilidade com sua classe, Baker impressiona pela ingenuidade, mostrada na cena onde ela dorme de baby-doll em um berço. Eli Wallach rouba a cena em uma grande atuação baseada no método de interpretação. O filme peca em explorar situações irreais e criar um melodrama desnecessário no quarto final para criar um desfecho surpreendente. Ainda assim, vale acompanhar este esquecido filme de Kazan.

NOTA: 6/10

IMDB

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