Labor Day (Refém da Paixão) – 2013

Antes de seu lançamento, Labor Day (Refém da Paixão, no Brasil) chegou a ser cogitado como um forte concorrente a edição do Oscar que premiou 12 Years a Slave como melhor filme de 2013. Mas logo depois de estrear nas salas dos Estados Unidos, o filme do diretor Jason Reitman foi atacado pela maior parte dos críticos americanos. Boa parte do descontentamento tem ligação direta a história que foi adaptada do livro homônimo de Joyce Maynard.

Adele (Kate Winslet) é uma mulher depressiva e sem rumo. Ela batalha para criar seu filho Henry (Gattlin Griffith, o menino desaparecido do filme Changeling, de Clint Eastwood) após ser abandonada pelo seu marido. Este trauma mudou completamente sua relação com o mundo. Ela se esconde nas tarefas domésticas e delega a Henry tarefas que exigem interalção com outras pessoas, seja para ir ao mercado ou para sacar dinheiro do banco. Certo dia eles encontram o criminoso Frank (Josh Brolin) na rua e decidem ajuda-lo em sua fuga. Mas os dois protagonistas criam um laço amoroso muito forte.

Além da trama principal, também temos alguns flashbacks sobre o motivo de Frank estar fugindo da polícia. Em paralelo, podemos acompanhar a triste vida do menino Henry, que passa os dias olhando seu hamster e fantasiando com uma menina que acabou de chegar à cidade (Maika Monroe).

Não posso deixar passar em branco a inevitável comparação entre Labor Day e A Perfect World (1993). A amizade entre o jovem Henry com o “faz tudo” Frank lembra bastante a relação retratada no longa de Clint Eastwood, onde um fugitivo que sequestra um menino acaba ensinando o garoto importantes lições da vida. A diferença é em Labor Day o sequestro jamais chega a ser cogitado. Desde os primeiros minutos Adele parece aceitar a presença do criminoso em sua vida cotidiana, por mais estranho que isso possa parecer. Ela necessita de carinho e vê no homem uma bondade que não pode ser observada nos vários relatos de sua fuga na televisão.

O que gera um desconforto no filme é o apelo para o melodrama, especialmente no quarto final. Kate e Josh formam um competente casal, mas parece que o diretor decidiu explorar muito a mudança de Adele durante os cinco dias em que permaneceu com o homem. Talvez isto se deva ao fato do longa ter tomado um rumo bem diferente do livro na questão da narrativa: Maynard escreve a história a partir da visão de Henry, enquanto que na versão para o cinema somos levados a 1987 já na primeira tomada, sem um narrador fixo.

Por trás desta história podemos pensar sobre as segundas chances que a vida oferece. A edição é muito agradável, e a trilha sonora faz muito bem o trabalho de criar uma tensão em torno da provável captura de Frank pela polícia. Um romance adulto muito interessante.

NOTA: 7/10

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