About Time (Questão de tempo) – 2013

Ano passado assisti ao trailer de About Time (Questão de tempo, no Brasil) e fiquei muito curioso. Romance e viagem no tempo parecem não se completar. Exagere muito na dose de fantasia e você pode colocar toda a produção em jogo. Não parava de pensar se o longa tomaria traços de Groundhog Day (1993) ou optaria por algo mais sensível como The Time Traveler’s Wife (2009).

No dia de seu aniversário de 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) descobre que pode viajar no tempo. Segundo seu pai (Bill Nighy), este segredo só funciona com os homens da família: basta entrar em um armário, apertar bem as mãos e pensar em uma certa ocasião e voilà, está feita a mágica. O truque serve para evitar momentos de humilhação e também manipula os sentimentos de terceiros. Tim conhece Mary (Rachel McAdams) e molda seu relacionamento baseado no feedback de vergonhas e/ou situações embaraçosas vividas.

Como gosta de viagem no tempo essa McAdams! No citado The Time Traveler’s Wife, ela interpreta a personagem do título, enquanto no ótimo Midnight in Paris ela é a noiva do viajante do tempo. Melhor não arriscar. Com McAdams pelo menos metade do par romântico estava em boas mãos. A decisão de escalar Gleeson (mais conhecido por interpretar Bill Weasley na série Harry Potter) gerou certa polêmica. Alguns críticos desceram a lenha na atuação do jovem, classificada como “insegura” e “sem emoção”. Particularmente, não consigo pensar em outro ator britânico nesta faixa de idade que desempenhe tal papel. E digo mais: a tal insegurança também tem relação com a personalidade do personagem. Nos primeiros minutos de filme observamos que o Tim, mesmo aos 21 anos, não consegue se aproximar de mulheres e é muito tímido. Consegui notar o desenvolvimento de Gleeson ao longo das duas horas de filme.

Quanto a questão da viagem no tempo. Sou bem chato neste ponto. Adoro estudar os sistemas da Teoria do Caos e discutir com amigos sobre o acaso e o futuro. Pois bem, os produtores decidiram não enrolar muito na influência de uma ação sobre sua consequência no futuro. A premissa é de que você entra no armário, imagina o passado e vive aquele momento novamente, deixando para trás toda história passada, restando apenas as lembranças. Ponto positivo para a equipe do grande diretor Richard Curtis!

O que torna About Time um filme único é seu roteiro. Não é aquele romance tradicional bobo e melodramático. Apesar de toda fantasia envolvida, o progresso de cada pessoa envolvida na história de Tim, bem como a preocupação do jovem com a saúde de seu pai e de sua irmã tornam o longa muito interessante. Por trás de tudo isto, uma mensagem: não fazer da vida um rascunho e viver intensamente cada momento.

NOTA: 7/10

IMDB

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