Sabotage – 2014

É inegável que a ideia por trás de Sabotage é muito interessante. Tentar adaptar o clássico And Then There Were None de Agatha Christie para o submundo do crime foi uma arriscada aposta que poderia render bons frutos. Mas entre drogas, tiros, traição e muita violência, o roteiro deixa todo seu potencial de lado para focar na persona de Arnold Schwarzenegger, a grande estrela do longa, e trazer um kill-em-up preso a velhos clichês deste gênero.

Arnie interpreta John Wharton, comandante da tropa de elite de agentes da Drug Enforcement Administration (DEA) dos Estados Unidos. Ao contrário do popular personagem Hank Schrader da série Breaking Bad (que também trabalhava nesta divisão), Wharton não tem um pingo de senso de humor. Sua equipe acaba com a festa de um grande traficante de drogas e localiza dezenas de milhares de dólares. Eles decidem ficar com “apenas” dez milhões e queimam todo resto, o que dá inicio a uma grande investigação para investigar o sumiço do dinheiro. O problema é que aos poucos cada um dos envolvidos no roubo acaba morrendo, o que leva o FBI entrar na jogada com a agente Caroline Brentwood (Olivia Williams) para resolver o mistério junto com Wharton. Em paralelo, podemos observar a dura história do chefão da DEA, que sofre diariamente devido seu conturbado passado e quer buscar a todo custo a vingança contra os homens que mataram sua mulher e seu filho anos atrás.

Por melhor que seja a atuação de Arnold, que dá bastante credibilidade ao personagem principal, na metade final do longa parece que a história do sumiço do dinheiro fica de lado apenas para Wharton resolver seus problemas com o cartel. É notável que o diretor David Ayer explorou a figura de seu ator principal a todo custo em detrimento ao andamento do filme, inclusive apostando em um improvável romance entre John e Caroline. Outra coisa que irrita é a movimentação da câmera, que ora tenta repetir o estilo de End of Watch, ora foca excessivamente nas expressões faciais de Schwarzenegger. O elenco de apoio é integrado por nomes como Terrence Howard e Joe Manganiello, que não conseguem tempo suficiente na tela para provar a que vieram justamente pelo enfoque excessivo em Arnold.

Muito mais violento do que Agatha Christie poderia imaginar, Sabotage se torna cansativo pelos vários tiroteios sem sentido e pelos desfechos previsíveis das situações apresentadas. A trilha sonora falha ao tentar criar um ambiente de mistério e os roteiristas prepararam uma surpresa que na verdade não condiz com toda a tentativa de tornar o caso mais absurdo do que deveria ser.

NOTA: 5/10

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