Oldboy (Oldboy – Dias de Vingança) – 2013

NOTA: Para o review do longa  sul-coreano de 2003, clique aqui

Oldboy (Oldboy – Dias de Vingança, no Brasil) não é apenas uma tentativa desesperada de lucrar em cima de um remake do excelente filme produzido na Coréia do Sul. É um projeto sem sentido desde sua primeira cena, quando tenta remontar as suas próprias custas a história do mangá de Garon Tsuchiya.

A premissa da história é a mesma. Josh Brolin interpreta Joe Doucett, nome americanizado de Oh Dae-su. Diferentemente do longa original, a relação do protagonista com o álcool é explorada ao extremo, tornando-o um homem muito mais problemático. Até por questões comerciais a narrativa é aquela linear “feijão com arroz” típica do cinema americano, sem nenhum tipo de conversa com o psicológico ou narrador oculto. Poderia argumentar que Spike Lee não se manteve fiel a versão sul-coreana, mas respeito sua decisão até porque o público alvo é outro. Aliás, isto fica bem claro na questão da violência: enquanto o Dae-su de 2003 apelava para a tortura pesada e aparece em cenas macabras, Joe Doucett é muito mais controlado, até para evitar o tão indesejado rating NC-17 nos Estados Unidos.

O maior buraco deixado por este longa, no entanto, é a total falta de comprometimento com uma análise realista sobre como Doucett passou 20 anos preso e quem realmente estava por trás disso (para mais detalhes do plot, por favor, leia o review da versão original aqui). Lembre-se que o protagonista é acusado de assassinar sua mulher e ainda é um procurado da justiça. Após ser libertado ele conhece a jovem Marie (Elizabeth Olsen) que de maneira inexplicável oferece abrigo e comida para o homem. Digo isto pois a versão coreana também deixa este ponto em aberto e só costura nos minutos finais, o que não ocorre aqui.

Um dos grandes méritos da versão de 2003 foi analisar em seu subplot como um ser-humano vê o mundo anos depois de ser confinado. Apesar de não ter a profundidade de Being There (1979), Dae-su via seu instinto falar mais alto várias vezes. Mas o desajeitado personagem de Josh Brolin parecia estar acostumado a era de iPhones e internet mesmo após duas décadas trancado. Fica claro que ou os produtores foram muito incompetentes ou o filme sofreu um corte muito pesado que acabou afetando o pace e deixando esta produção completamente sem sentido (o que é mais provável).

Quis deixar claro ao longo do review as comparações com o filme de 2003 especialmente pelo fato de Spike Lee promover esta película como uma homenagem ao filme original. Depois de receber críticas por todos os lados, o diretor deu para trás e disse que quis criar uma identidade própria a partir do mangá. Ora, quanta confusão! Seria melhor ter adotado uma postura mais humilde a partir do momento em que ele recebeu a dura tarefa de refazer um filme que ainda está fresco na nossa memória. Senhoras e senhores, este é o mais recente box office bomb americano. Vergonhoso.

NOTA: 4/10

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