Belle de jour (A Bela da Tarde) – 1967

Quase quarenta anos depois de Un chien andalou, Luis Buñuel voltou a causar polêmica e explorar histórias que poucos diretores de sua época arriscariam levar ao cinema. Belle de jour (A Bela da Tarde, no Brasil) trata sobre a vida de Séverine Serizy (Catherine Deneuve), uma jovem e linda mulher que não consegue se relacionar sexualmente com seu marido, Pierre Serizy (Jean Sorel). Ela se satisfaz com fantasias eróticas até que segue o conselho de um amigo e passa a trabalhar todas as tardes em um simples bordel de Paris.

Assim como em outros filmes deste diretor, em algumas cenas nos perguntamos o que é realidade e o que é mentira. Para auxíliar o espectador, algumas distribuidoras optaram por colocar nas legendas passagens em itálico para diferenciar justamente os delírios de Séverine com os fatos que acontecem em sua vida. O trabalho do elenco é sensacional, mas o destaque, é claro, vai para a bela Deneuve, que entre um sorriso e uma expressão séria é capaz de nos despertar pena ou repulsa pelos seus atos. Os traços surrealistas de Bruñuel não poderiam deixar de marcar presença, mas aparecem em um número inferior se comparados a produções anteriores.

Belle de jour é um filme elegante em todos os sentidos. Fotografia, maquiagem, vestimentas. E até mesmo na abordagem do sexo. Buñuel acreditava que a excitação e o subsequente clímax vinha dos momentos que precediam o ato. Como Roger Ebert muito bem exemplificou, o excitante não era ver Séverine fazendo sexo, mas sim saber que ela estava se dirigindo a um quarto para se dispor a tal. Diferentemente de  L’âge d’or, aqui a protagonista sente a necessidade de canalizar e liberar sua energia sexual através de contatos físicos com pessoas desconhecidas, não apenas no pensamento. A opção da protagonista jamais envolve o dinheiro, mas por um enigmático desejo. Por qual motivo a moça se recusa a ficar com seu marido de noite e sai para buscar o prazer com estranhos?

Esta questão pode ser analisada a partir de uma visão subjetiva do final do filme. Certa vez, em uma roda de amigos, Bruñuel falou que nem ele mesmo sabia explicar a última cena. O português Manoel de Oliveira imaginou uma continuação em Belle toujours (que conta com a participação de Piccoli), que em breve estará aqui no site.

NOTA: 7/10

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