The Petrified Forest (A Floresta Petrificada) – 1936

The Petrified Forest (A Floresta Petrificada, no Brasil) foi o filme responsável pela ascensão do ator  Humphrey Bogart. Com roteiro baseado na peça homônima de Robert E. Sherwood e estrelada pelo elenco do filme na Broadway no ano anterior, podemos facilmente dividir o longa em dois momentos.

O primeiro deles trata sobre o começo da história dirigida por Archie Mayo, um diretor que não teve sorte em Hollywood. Alan Squier (Leslie Howard) é um intelectual alcóolatra britânico que conquista o coração de Gabrielle (Bette Davis), empregada de um restaurante controlado pela sua família, graças ao seu grande conhecimento de poesias e sobre sua visão de mundo. As conversas de Alan e Gabrielle causam grande preocupação em Boze Hertzlinger (Dick Foran), o típico exemplo de um fortão sem cérebro que tenta conquistar a moça de qualquer jeito. Ela ainda tenta se oferecer para viajar para a França com Alan, mas sem sucesso. O rapaz parte e deixa uma marca no coração da loira. É aqui que uma série de eventos ocorre e deixa o filme muito interessante. As monótonas e chatas conversas dão lugar a um ambiente repleto de tensão. Alan pega carona com um casal milionário, mas o carro em que eles estavam é roubado pela quadrilha de Duke Mantee (Bogart), em fuga da polícia por conta de uma matança. Duke se dirige ao restaurante de Gabrielle, e o mesmo acontece com Alan. Enquanto a preocupação de Duke é se encontrar com sua amada o mais rápido possível e deixar o local, Alan passa a filosofar sobre o sentido da vida, e envolve Duke em uma jogada que pode custar sua vida.

Muito interessante ver Davis jovem. Na época de lançamento do longa ela já era uma das principais estrelas femininas de Hollywood. Mas quem rouba a cena é Humphrey Bogart. Pouco depois do lançamento deste filme, ele passou a ser figura carimbada em filmes de gangsters, algo que o marcou por toda sua brilhante carreira. A partir do momento em que ele aparece interpretando um personagem baseado em John Dillinger, é incrível observar como o longa ganha vida.

 The Petrified Forest é um dos mais claros exemplos de uma prática empregada pelos Irmãos Warner no começo da era dos talkies: o controle de recursos. Harry Warner considerava que o que sugava uma pessoa para uma sessão de cinema era uma história bem contada. Partindo deste princípio, qualquer filme com o roteiro bem trabalhado era candidato a ter parte de seu orçamento de produção afetado. Pode parecer estranho, mas isto foi essencial para o estúdio conseguir financiar obras como The Story of Louis Pasteur (1936). Os cenários de The Petrified Forest são aqueles wallpapers clássicos de deserto. Nuvens, terra, cactos. As tomadas externas não convencem justamente pela falta de credibilidade do ambiente. Você claramente percebe que os atores estão dentro de um estúdio e que tudo foi feito na correria, possivelmente por conta de outro filme. Como mais de noventa por cento do filme foi rodado dentro de um restaurante, isso não chega a incomodar.

Um grande filme! Leslie Howard merece os créditos. Ele exigiu dos Warners a presença de Bogart no elenco (os irmãos preferiam escalar o popular Edward G. Robinson de Little Caesar). Um filme curto que peca pela falta de articulação das histórias contadas mas de grande interesse para os fãs de Hump.

NOTA: 6/10

IMDB

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