Play It Again, Sam (Sonhos de um Sedutor) – 1972

Você é fã incondicional de Casablanca? Vá atrás deste filme dirigido por Herbert Ross sem pensar duas vezes! Tudo o que se passa nesta história esta ligado ao clássico de 1942, a começar pelo título. Play It Again, Sam é a maior misquotation da história do cinema mundial. Quando Ilsa entra pela primeira vez no Café Americain e encontra Sam, a personagem de Ingrid Bergman pede: “play it once, Sam, for old times sake.” Após perceber certa negativa do músico, novamente Ilsa faz o pedido:”play it, Sam. Play As Time Goes By.” Não sei quando ou onde esta “tradição inventada” iniciou, mas até hoje é comum colocar o “again” antes do it nesta célebre frase (até pelo fato de soar mais bonito). O título escolhido pela produção do longa de 1972 já mostra que o espectador deve ter certa intimidade com este caso, já que não existe nenhum Sam neste longa.

O primeiro trabalho conjunto de Allen e Kreaton mostra os passos Allan (Allen), um depressivo crítico de cinema que não consegue lidar com o rompimento com sua esposa. Ele tenta se relacionar de todos os modos com outras mulheres, mas não consegue chamar a atenção de nenhuma. O casal de amigos Dick (Tony Roberts) e Linda (Diane Keaton) oferecem ajuda, mas ele parece não ter o equilíbrio suficiente para entrar em uma relação normal. Mais tarde Allan descobre que é apaixonado por Linda e os dois começam um romance secreto, recriando o triângulo amoroso entre Victor Laszlo, Ilsa, e Rick de Casblanca.

O longa é muito, muito engraçado! Para se tornar mais sociável, Allan recebe conselhos de Humphrey Bogart (Jerry Lacy). Este personagem, fruto da mente do crítico de cinema, funciona como um intermediário entre o real e o imaginário no complicado relacionamento do protagonista com suas pretendentes. Aqui cabe uma curiosidade: Allen escreveu este roteiro exclusivamente para o teatro. Ele tinha como objetivo realizar uma espetáculo de curta temporada na Broadway, mas o sucesso foi tão grande que as 60 apresentações viraram 453 (a maioria com casa cheia). Allen, Kreaton e Lacy repetiram seus papéis neste filme, recheado de paródias de outros clássicos do cinema como The Big Sleep. A Paramount investiu pesado na produção e ficou decepcionada por não receber nenhuma indicação ao Oscar.

Vale também conferir um dos poucos casos em que Allen atuou no papel principal mas não dirigiu o filme. O trabalho de Ross foi bem feito, mas não dá pra negar que o diretor foi influenciado por Woody em algumas tomadas.

NOTA: 7/10

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