Mutiny on the Bounty (Motim a Bordo) – 1935

Dias atrás estava ouvindo o programa de rádio de Richard Roeper e passei o dia inteiro pensando em uma frase dita pelo crítico americano. Dizia ele que “as décadas de 1930 e 1940 foram a era de ouro das adaptações”. Roeper defende a teoria de que Hollywood investia muito mais na produção de filmes baseados em grandes livros ou relacionados a fatos históricos do que em histórias originais. De certa maneira ele tem razão. Mutiny on the Bounty é baseado no motim mais famoso da história. O que pode decepcionar, no entanto, é que o screenplay foi adaptado de um romance, ou seja, não há comprometimento em retratar nas telas o que realmente acotneceu. Dirigido por Frank Lloyd, a produção da MGM venceu o Oscar de melhor filme em 1936.

Em 1789, o tenente Fletcher Christian (Clark Gable) comanda um motim no HMS Bounty devido ao comportamento tirano do capitão Bligh (Charles Laughton) com sua tripulação. Os rebeldes deixam os homens leais ao capitão em alto mar enquanto partem para reconstruir suas vidas no Taiti. A esquadra sai de Londres, passa por águas da América do Sul e cruza o Cabo da Boa Esperança. De lá, vai para a maior ilha da Polinésia Francesa. Mesmo com a longa duração da viagem, a falta de continuidade compromete bastante: em determinada cena, parece que os marinheiros dormiram nas Ilhas Falkland e acordaram na África do Sul.  Para ilustrar a revolta da tripulação, os roteiristas trataram Bligh como um comandante maléfico que mata, castiga e humilha sem piedade (até hoje há controvérsias sobre estas acusações). A sede pela vingança da tripulação não convence pela falta de trabalho no lado psicológico dos personagens.

Sem dúvidas a atuação de Gable (sem seu tradicional bigode) é o ponto alto do filme. Ele dá vida a um tenente atencioso e guerreiro.  Alguns efeitos visuais improvisados, como a inundação de um navio, também chamam a atenção. O monólogo final aposta em um longo discurso a favor de direitos iguais para todos os homens livres. Mas não envolve por causa do uso de palavras vazias e sem sentido. Mas a história do motim é tão rica e fascinante que eu lhe garanto que você vai correr para o Google pesquisar detalhes deste evento após o filme.

NOTA: 6/10

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