Lawrence of Arabia (Lawrence da Arábia) – 1962

Enquanto aguardo ansiosamente pelo Oscar, decidi assistir esta manhã a versão do diretor do extraordinário Lawrence of Arabia, de David Lean. Comprei na Amazon estadunidense a versão comemorativa de cinquenta anos deste longa, e posso dizer que valeu cada centavo. Além do filme, esta versão conta com um punhado de especiais (como comentários de Scorsese e Spielberg), um CD da maravilhosa trilha sonora e um pequeno livro de histórias e curiosidades da gravação deste épico. Acredito que este seja o melhor exemplo de um filme que proporciona uma total imersão na história. Não só a longa duração colabora para isto, mas também a riqueza de detalhes dos personagens. Sabemos as pretensões e o passado de cada um. A magnitude da produção impressiona até hoje.

Me lembro que o primeiro contato que tive com este filme foi quando eu era bem jovem. Não me lembrava de detalhes, mas sabia que havia adorado a história. Em 2007 assisti a versão de 216 minutos. Queria assistir novamente até para tentar analisar Lawrence com a visão de um historiador. Pessoal, quando Peter O’Toole morreu em dezembro de 2013, fiquei muito triste e chateado. Triste pelo fato de perder uma lenda do cinema, e chateado porque não consegui realizar meu sonho de ver ele com a estatueta de melhor ator. Peter ganhou um Oscar honorário em 2003, mas ninguém vai tirar da minha cabeça que ele foi injustiçado pela Academia em pelo menos duas de suas oito indicações.

Thomas Edward Lawrence saiu do anonimato para virar um dos maiores heróis da história da região do deserto árabe. O filme é baseado na história real do oficial britânico que comandou uma parte da Revolta Arábe contra os turcos no período da Primeira Guerra Mundial.

Uma das cenas mais simbólicas do filme é quando o protagonista comanda a pilhagem de um trem. A presença de um jornalista americano que procurava um herói de guerra apenas deixa claro a mudança total de personalidade de Lawrence. Ele deixava de ser um empregado do exército para se tornar um ícone. Seus medos não existiam mais. Ele era maior que todos. Podemo comprovar isto com a frase “só podem me matar com uma bala de ouro”, dita pelo personagem de O’Toole após sofrer um tiro no braço de um turco. A aclamação de seus seguidores, junto a um jogo de luzes e sombras muito bem exposto, é marcante. Ele era um rei sei trono.

Uma interessante curiosidade: David Lean decidiu mostrar todas as cenas da esquerda para a direita. Segundo ele, isto era necessário para deixar claro a incansável jornada de Lawrence no deserto. Caso ainda não tenha assistido ao longa, trate as três horas e meia de Lawrence of Arabia como um investimento para sua cultura pessoal. E quem já é fã do filme aconselho a comprar a versão Blu-Ray o quanto antes. Qualquer que seja seu caso, tenho certeza que você não irá se arrepender.

NOTA: 10/10

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