Kaze no tani no Naushika (Nausicaa: A Princesa do Vale dos Ventos) – 1984

Na década de 1980 as animações feitas no Japão estavam dois passos a frente das produzidas pelos americanos. Nausicaa é um exemplo disto. Ao invés de contar uma história de amor ao estilo Disney, neste filme existe uma preocupação em mostrar uma mensagem da importância de uma boa relação entre o homem e a natureza. Isto torna este desenho extremamente interessante. Assim como aconteceu quando assisti o maravilhoso Grave of the Fireflies, ao acabar a exibição fiquei com vários questionamentos. Dentre dúvidas e certezas, posso apenas garantir que as ideias desta animação permanecem válidas nos dias de hoje, mesmo trinta anos depois de seu lançamento.

O roteiro foi inspirado nos dois primeiros volumes do mangá de mesmo título, que fez sucesso no Japão e virou um grande hit nos Estados Unidos após a exibição deste filme. Preparado pela Topcraft (que mais tarde se tornaria parte do Studio Ghibli), descobri esta produção graças à altíssima nota no IMDB.

Os homens destruíram o planeta terra nos “sete dias de fogos”. Existem apenas pequenos grupos de sobreviventes, que tentam tocar a vida em meio a uma floresta tóxica e criaturas mortais. Na comunidade do Vale dos Ventos, Nausicaa tenta entender a floresta e seus habitantes ao invés de tentar destruí-la.

Não se preocupe. Você não precisa ler a história original para entender o ambiente do filme. Tudo é minuciosamente explicado desde os primeiros minutos. Uma das grandes reclamações que faço aos filmes que exploram cenários apocalípticos é a falta de contextualização do argumento central. Pois bem, aqui os termos utilizados para designar os insetos mutantes ou a floresta tóxica são explicados em conjunto com os fatores que fizeram possibilitaram tamanha desgraça. Mas preste bem atenção ao que você irá ver. São tantas informações, tantos nomes e tantos locais que possivelmente você irá ter que retornar um diálogo ou outro para entender a situação exposta. Não chega algo negativo, mas as roupas são tão parecidas que eu cheguei a confundir dois ou três personagens.

A relação homem-natureza é tratada de forma impactante. Alguns povos que insistiam em queimar a floresta tóxica não percebiam sua tamanha importância para o funcionamento do globo (elas eram necessárias para a purificação da água, por exemplo). Seria uma indireta para todos aqueles que consideram que os recursos naturais são infinitos e que a conscientização ambiental é pura balela.

Apesar de não gostar muito de mangás e animes, admito ser praticamente impossível não admirar as produções japonesas. A mistura de ficção com realidade (na medida certa) parece ser algo que só eles sabem fazer. Estou extremamente ansioso para assistir Kaze tachinu (Vidas ao Vento), baseada em episódios da Segunda Guerra Mundial e indicado ao Oscar. Em breve o review estará aqui o site. Por enquanto, fica a recomendação de Nausicaa, um exemplo de animação a frente de seu tempo. Vale conferir a direção de Hayao Miyazaki (o mesmo de A Viagem de Chihiro e Princesa Mononoke).

NOTA: 7/10

IMDB

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