Jeder für sich und Gott gegen alle (O Enigma de Kaspar Hauser) – 1974

A história de Kaspar Hauser é impressionante! Em 1828 ele foi encontrado em uma praça de Nuremberg com uma carta que explicava o motivo dele estar ali. Sem saber andar, com várias feridas e apenas uma dúzia de palavras no vocabulário, o homem logo virou alvo de curiosos e especialistas que tentavam entender sua estranha natureza.

Alimentado apenas por pão e água durante toda sua vida, Kaspar virou uma figura popular na Alemanha pós Segunda Guerra Mundial. Vários livros e artigos foram publicados para tentar resolver o mistério centenário de uma pessoa que chegou a ser considerada “selvagem” e filho de Carlos I de Baden. Aproveitando este revival, Werner Herzog produziu Jeder für sich und Gott gegen alle (O Enigma de Kaspar Hauser, no Brasil), considerado por Pauline Kael como um dos melhores filmes europeus da década de 1970. O roteiro foi feito com base nos registros dos arquivos públicos de Nuremberg e alguns livros publicados na década de 1840.

Kasper foi interpretado por Bruno S, um homem que era espancado diariamente por sua mãe durante sua infância. Após perder a audição de um ouvido, Bruno foi internado em um hospital psiquiátrico ainda jovem. Durante os 23 anos que viveu com sua liberdade restrita, ele desenvolveu gosto pela pintura e pela música. Seu talento foi retratado no documentário Bruno der Schwarze – Es blies ein Jäger wohl in sein Horn (1970, perdido). Herzog considerava que apenas um homem que havia vivenciado algo parecido com o drama de Kasper poderia dar luz a um personagem tão complexo e misterioso. De fato, a atuação de Bruno convence. Os registros de produção de Herzog mostram que o ator principal tinha dificuldades para decorar seus textos e não suportava ser observado pela equipe de produção. Considerado uma pessoa muito difícil de trabalhar, Bruno foi moldado aos poucos para entrar nas linhas do grande diretor alemão.

Werner não se mostrou satisfeito apenas em trazer a história de Hauser para o grande público. Em algumas cenas, o diretor instiga o espectador a se colocar no lugar do protagonista e enfrentar a realidade de um mundo desconhecido (veja abaixo uma questão lógica extraída do filme).

Longa bastante interessante. Não poderia deixar de notar a influência direta de Truffaut e seu belo L’enfant sauvage na produção alemã. Uma daquelas histórias para contar para os amigos e virar o centro das atenções.

NOTA: 7/10

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