August: Osage County (Álbum de Família) – 2013

Senhoras e senhores, este é o filme responsável pela décima oitava indicação de Meryl Streep ao mais cobiçado prêmio do cinema.

Confesso que esperava um filme bem ruim. As críticas do The Guardian e do San Francisco Chronicle detonaram os produtores e o diretor John Wells. No entanto, a máxima de que o cinema só é o que é pelas diferentes interpretações de um filme é válida neste caso. O filme trata sobre a história de uma família após a morte do patriarca. Com a viúva Juliet, interpretada por Steep, em um delicado estado de saúde (seu câncer na boca e o constante uso de medicamentos alteram constantemente seu humor), os filhos se reúnem em Oklahoma para o funeral e decidem lavar a roupa suja. Então, meus amigos, temos revelações de adultério, uso de drogas, separação e outras revelações bombásticas.Julia Roberts interpreta a Barbara, que não aceita o vicio de sua mãe e a enfrenta sempre que possível para que ela possa, um dia, retomar sua vida de uma maneira “limpa”.

O filme é ruim? Não, pelo contrário, é muito interessante. É cansativo? Sim, extremamente cansativo. O grande problema é que temos duas atuações excepcionais dentro de um filme “normal”. Fica evidente que o personagem de Juliet foi escrito com Streep em mente. Sua atuação é memorável (ao ponto de eu garantir que sua interpretação não deixa nada a dever para a incompreendida Joana de Kramer vs. Kramer). Me parece que este foi também o pensamento da Academia. As histórias paralelas se perderam, e no final do filme o espectador pode ser perguntar: “tá, mas qual era a história mesmo?”

O ponto que mais me indignou foi a tentativa de recriar um ambiente baseado no extraordinário Festen (1998), com uma sequência de bombas sendo despejadas em um espaço curto de tempo. O filme perdeu sua identidade.

O cinema só é o que é pelas diferentes interpretações de um filme. Digo isso porque alguns amigos e alguns críticos profissionais como Scott Foundas analisaram o filme de outra maneira, explorando o lado psicológico dos personagens ao invés da história. Talvez se eu conseguisse fazer uma forcinha me arriscaria em estruturar os comportamentos dos personagens de Streep e Roberts. Mas depois das minhas tentativas frustradas de entender  Mulholland Dr, acho que isto tomaria um tempo do qual não possuo.

Não se deixe enganar. É um bom drama. Talvez aquele para se ver em DVD ou Blu Ray muito mais pelos nomes do elenco do que pelo roteiro.

NOTA: 6/10

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